Conhecimento, Língua Portuguesa, Psicologia

A mente humana e o paradoxo, a relação com o tempo

Um teste para sua mente, o quanto desembaraçado no pensamento você é? Tente acompanhar as explicações abaixo.

Temos a seguinte frase:

“Esta fraze possui dois erros.”

Vamos analisá-la no texto abaixo:

(1) O significado da frase diz que a própria frase tem dois erros, logo podemos ver que a palavra “fraze” está escrita com “z” e não com “s” como deveria, isto é um erro. O significado da frase nos diz serem dois erros, informando errado, pois na verdade, só encontramos um erro, só que essa informação está errada, então encontramos o segundo erro, então a frase possui dois erros, uma na palavra “fraze” e outro na informação “dois erros”, logo, a frase está correta.

(2) Mas, se a frase está correta, o trecho “dois erros” está informando corretamente que existem dois erros, o que deixa esse trecho com o significado correto, logo não é um erro, então a frase possui um único erro (o da palavra “fraze”) e a frase está incorreta.

(3) Mas se o significado da frase está errado pelo motivo de conter apenas um erro (parágrafo 2) , então a frase possui dois erros, portanto, a frase está correta. (Vamos brincar de loop? Volte a ler desde o  parágrafo 2.)

PS: “fraze” é uma palavra com grafia errada, logo é um erro que muda o significado dela.

Uma forma de se medir a inteligência é a capacidade de entender que se está em um loop e então sair dele, claro que, se você está em um loop como no acima é certo de quê depois que tenha entendido o porquê de acontecer o loop desista de prossegui-lo já que pode reconhecer que a solução do caso deve se encontrar em um nível acima. Chamei de loop para ficar mais reconhecível a volta ao mesmo lugar, mas em Língua Portuguesa seria mais legal chamar de ciclo.

A interpretação cerebral

Se você não fosse inteligente o bastante para ter a palavra “frase” em sua mente para poder identificar o erro, logo “fraze” seria descartada da frase. Teríamos então a frase: “Esta tem dois erros.”, porque você não entenderia a palavra “fraze” e passaria a um segundo nível de análise: “Quem tem dois erros?” seria a pergunta a ser feita a fim de identificar o que “fraze” significa. É nesse momento que você identifica o primeiro suposto erro.

Repare então que cada palavra da frase é lida e comparada ao conjunto de palavras que você conhece, ou seja, que está na sua mente, assim todas as palavras são comparadas por uma inteligência que mede o quanto a palavra é parecida com a que você conhece e como resultado dão a você a probabilidade de ser mesmo uma palavra que você conhece, e você então pode responder que conhece com tantos porcentos de certeza, por exemplo, “fraze”, mesmo ela não sendo idêntica a palavra “frase” que você conhece, tem grandes chances de ser a certa e de na frase estar escrita desta forma por engano (a menos que ela tenha sido escrita de propósito para justificar um dos erros 😉 ).

Após reconhecer todas as palavras os significados são juntados por sua mente e iram gerar o cenário que estes significados produzem, criando uma cena mental onde você poderá ver o que a frase quer explicar, é nesse momento que o conjunto completo dos significados lhe dizem que há dois erros na frase, e você olha a frase e somente encontra um, o que já encontrou na análise anterior , nesse momento vem a questão: “mas onde está o outro?” e como logo perceberíamos que estamos sendo enganados, que na verdade, o significado de dois erros contém o próprio erro de não estar informando a verdade, somando os dois erros.

A próxima análise do cenário é perceber que se o “dois erros” informa corretamente na verdade pode ser que ele não seja um erro… e então ficamos com uma certa dúvida e frase torna-se instável, não podemos dizer que está cem porcento correta e nem que está cem por cento errada, gerando o paradoxo.

Paradoxo é o que fica sem explicação, somente possui explicação em um determinado ponto do ciclo, e só pode afirmar com certo grau de certeza dependendo do momento da análise, ele sempre é um processo, um ciclo, sem saída.

Imagine agora em quantos ciclos vivemos? Coisas que não possuem solução e insistimos em continuar, às vezes precisamos desapegar de certas coisas e deixá-las sem explicação para seguir em frente na vida.

Mais um exemplo:

“Pinóquio disse:  – Meu nariz vai crescer agora.”

Por ser uma mentira, já que o nariz dele cresce somente quando ele mente, o nariz então cresce, mas se o nariz cresceu, o que ele disse era uma verdade, se era uma verdade o nariz dele não iria crescer, o que torna a frase uma mentira, então o nariz dele cresceria.

Veja que é um processo, num determinado ponto do processo o início se perde, e se não tem início como é que os fatos seguintes ocorreram? Logo isso justifica um início, existe então uma relação com o tempo.

Incrível não é? Logo posso dizer que paradoxos possuem solução, basta congela-los no tempo, no momento da análise.

Obs: os exemplos “Esta fraze possui dois erros.” e “Pinóquio disse:  – Meu nariz vai crescer agora.” não são meus, autores anônimos, apenas ouvi de pessoas dando exemplos sobre paradoxos em conversas filosóficas. =D

Até o próximo.

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